“Participem mais
da Associação”

É com este recado que o presidente da Anfamoto pelos mandatos de 90/91, 92/93, 2006/2008 e 2009/2011, Valdenir dos Santos Galvão, encerra sua
participação à frente da Associação
         
 
 

A partir de 2012, a Anfamoto começará a escrever outro capítulo de sua história. Valdenir dos Santos Galvão, presidente da Associação, conclui mais um período à frente da Anfamoto e deixa o cargo tendo realizado importantes ações em prol do segmento das motopeças.
Além da experiência profissional adquirida dentro da Anfamoto, das dificuldades, erros e acertos, nesta entrevista exclusiva, o empresário nos conta o que acrescentou pessoalmente em sua vida ter dirigido a Associação ao longo destes anos.

Anfamoto em Revista: Quais os princípios básicos para presidir uma instituição do porte da Anfamoto?

Valdenir dos Santos Galvão: No meu entender, o princípio básico que deve nortear o presidente é o trabalho sem qualquer interesse que não seja em prol do crescimento e projeção da Associação. Superar e conciliar dificuldades e atritos decorrentes dos problemas que surgem em um mercado altamente competitivo.

A.R.: Quais os grandes desafios de presidir a Anfamoto?

Valdenir: O grande desafio é conseguir manter um bom relacionamento entre os associados, diante dos inúmeros problemas que surgem, naturalmente, dos conflitos de interesses que se apresentam nos diversos setores do segmento.

A.R.: Sobre a aproximação da Anfamoto com o Governo Federal. Quais foram as principais conquistas neste aspecto durante esses últimos anos?

Valdenir: Considero que a principal conquista foi o reconhecimento da Anfamoto como entidade representativa de um importante setor da economia. Como podemos verificar pela atuante participação, em conjunto com outras entidades do segmento, em reuniões e grupos de trabalho, com o Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior.

A.R.: Quais as principais reivindicações levadas pela Anfamoto aos ministros? Como o sr. avalia essa aproximação?

Valdenir: As principais reivindicações podem ser assim resumidas:

Ministério do Desenvolvimento
da Indústria e Comércio Exterior

- Proposta de alteração da Portaria Interministerial nº 67 sobre PPB que culminou com a aprovação da PI nº 195/2011, resultando em número de pontos e peças, muito mais favoráveis em relação à participação de peças nacionais na montagem da moto.
- Proposta referente à equalização das alíquotas do IPI. Para autopeças é de 4% a 6%, enquanto que para motopeças é de 10% a 12%.
- Proposta para abertura do Capítulo 87 da NCM (Nomenclatura Comum do MERCOSUL), posição 87.14.19.00 – Outras partes e peças de motocicletas, sugestões de consenso do GT Duas Rodas – subgrupo Motocicletas. Foi sugerido também o estabelecimento de nomenclatura específica para câmaras de ar de motocicletas.
- Certificação compulsória de motopeças através do GT Duas Rodas – subgrupo motocicletas. Estão em estudo as sugestões para alterações do Programa da Avaliação da Conformidade, já em andamento pelo INMETRO, com o objetivo de atender os pontos divergentes entre autopeças e motopeças.

Ministério das Cidades – CONTRAN

- Proposta de normatização específica de utilização de escapamentos, protocolada no CONTRAN referente às multas aplicadas aleatoriamente aos motociclistas, prejudicando a comercialização de escapamentos.
- Proposta para retomada da prática de verificação dos capacetes quanto ao estado de conservação e forma de uso, protocolada no CONTRAN, ressaltando reflexos sobre a segurança.

Secretaria de Estado dos Negócios da
Fazenda do Estado de São Paulo

- Proposta da exclusão dos capacetes para motociclistas dos Protocolos nº 36 e nº 41, da atual sistemática da Substituição Tributária, protocolada na Secretaria da Fazenda.

A.R.: No período do seu mandato, o mundo passou por uma das piores crises financeiras de todos os tempos. Como presidente, como o sr. lidou com este momento e como a Anfamoto se posicionou perante aos acontecimentos e dificuldades econômicas?

Valdenir: Nos dez anos de mandato, dois períodos foram especialmente difíceis. Primeiro, durante os quatro anos iniciais (1990/1993), por força da instabilidade da economia brasileira, com inflação sem controle, desemprego, greves e as dificuldades do setor e, o que é pior, sem qualquer perspectiva. Diferentemente, a crise financeira de outubro de 2008 aconteceu em um momento no qual nosso segmento vinha de excelentes resultados, com taxas de crescimento acima da média de outros setores. Nessa oportunidade, com a inflação sob controle, as empresas já tinham mecanismos de controle e estratégias para minimizar os efeitos da crise.

A.R.: Qual a sua maior frustração à frente da Anfamoto?

Valdenir: Embora reconhecendo as dificuldades impostas pelas distâncias e compromissos inadiáveis, que impedem a participação de parte dos associados em reuniões, palestras e eventos promovidos pela Associação, minha maior frustração foi não ter conseguido motivar uma boa parcela dos demais, em compartilhar das ações e iniciativas que implementamos em nossa gestão.

A.R.: Nestes anos em que o sr. foi presidente, a setorização dentro da Anfamoto ganhou força. Qual a importância das discussões segmentadas?

Valdenir: A setorização dentro da Anfamoto se apresenta como solução natural para examinar e equacionar as diversas demandas próprias de cada setor. O Setorial passa a ser o foro específico em que os empresários podem discutir os seus problemas e questionamentos. Não fosse assim, é difícil imaginar como seriam discutidos os problemas decorrentes de um mercado tão complexo como o nosso.

A.R.: Como o sr. avalia a importância para o setor dos Salões Itinerantes e do Salão Nacional e Internacional das Motopeças?

Valdenir: As diversas edições do Salão Nacional e Internacional das Motopeças e dos Salões Itinerantes foram e continuam sendo de suma importância para o nosso setor. Elas representam o local mais adequado para atender as exigências de visitantes qualificados em busca de inovações e tecnologia de ponta, além de oportunidades de negócios.

A.R.: Neste período em que foi presidente da Anfamoto, quais mudanças esses dois grandes eventos tiveram?

Valdenir: As mudanças verificadas sempre foram feitas para atender o expositor que, em última análise, é o termômetro dos anseios e expectativas do mercado. As mudanças em relação ao local, formatação, datas e horários e, mesmo em relação ao perfil do evento, foram tentativas de alcançar o melhor, sem nunca deixar de imprimir a marca de qualidade da Anfamoto.

A.R.: A Substituição Tributária foi um dos grandes temas debatidos no segmento durante o seu mandato. A Anfamoto, como instituição, ajudou de quais maneiras seus associados a se adequarem a essa e outras mudanças tributárias?

Valdenir: Foi uma constante em nossa administração a preocupação em esclarecer nossos associados através de palestras, debates e publicações na Revista e no site. Ressalte-se ainda as várias ações reivindicando soluções para demandas do setor, junto às autoridades competentes.

A.R.: Como é ser associado, empresário e presidente ao mesmo tempo? É preciso abrir mão de alguma coisa?

Valdenir: O exercício da presidência tem um custo significativo, que pode ser avaliado pelo afastamento, ocasional, do comando da sua empresa para cuidar dos interesses da Associação. Todavia, os benefícios também são significativos na exata medida da experiência adquirida, nos contatos mais próximos com os parceiros do setor e, principalmente, no trato com a diversidade de problemas, que nos possibilitam o exercício da tolerância e respeito pelas opiniões divergentes. Tenho me pautado em examinar situações com o máximo de cautela e isenção, com o propósito de não misturar os interesses do empresário com os do presidente.

A.R.: O que o sr. aprendeu e levou para a sua vida pessoal neste período?

Valdenir: Toda experiência traz ensinamentos, assim como todo aprendizado requer o exercício da humildade em saber ouvir e examinar situações sem pré-julgar.

A.R.: Qual a sua mensagem para os associados da Anfamoto?

Valdenir: Participem mais da Associação, trazendo suas sugestões em prol do seu setor para alcançar seus objetivos. Só com a participação mais efetiva de seus associados, a Associação será cada vez mais forte.

 

 

 
       
         

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